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Interoperabilidade na gestão de conteúdo

Especialista em ECM, Walter Koch fala dos padrões de comunicação. Há muito tempo o ser humano tenta desenvolver padrões comuns de comunicação visando facilitar a troca de informações entre povos e posteriormente entre sistemas.

Entre os primeiros exemplos disto temos a língua esperanto. Seu iniciador, Ludwik L. Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887 com a intenção de criar uma língua de muito fácil aprendizagem. Língua essa que fosse internacional para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).

No mercado da Tecnologia da Informação, aos longo dos anos foram desenvolvidos esforços semelhantes. Por exemplo, o ODBC – Open Database Connectivity que visa trazer um padrão para o uso de sistemas de gerenciamento de bancos de dados. Os criadores do ODBC procuraram fazê-lo independente de linguagens de programação, sistemas de bancos de dados e sistemas operacionais.

A gestão de conteúdo

No mundo da gestão de conteúdo, as primeiras iniciativas remontam à década de 90. Foi quando assistimos às iniciativas da AIIM patrocinando o DMA – Document Management Alliance. Era um conjunto de especificações que ofereciam um modelo e API´s (Application Program Interfaces) para a interoperabilidade e integração entre repositórios de gestão de documentos. Recordo a fascinação ao assistir em um dos congressos da AIIM a primeira demonstração da integração entre um cliente Watermark com um servidor FileNet.

Posteriormente houve o advento do XML – eXtended Markup Language. Esse evento revolucionou a indústria da gestão do conteúdo, pois passou a permitir não só agregar metadados ao conteúdo mas chegou a ser visto como o padrão futuro para armazenamento de objetos.
Mais recentemente assistimos à criação do CMIS – Content Management Interoperability Services como uma proposta de serviços Web padronizados para compartilhar informações entre diferentes repositórios de conteúdo procurando  assegurar a interoperabilidade para pessoas e aplicações usando múltiplos repositórios.

Esta iniciativa tem o apoio de fornecedores como Alfresco, EMC, IBM, Microsoft, Open Text, Oracle e SAP. Esses passaram a oferecer serviços para a troca de conteúdo com e entre os seus sistemas de ECM (Enterprise Content Management). A proposta original foi disponibilizada para o público através da OASIS (www.oasis-open.org/committees/cmis/).

Mais especificamente, CMIS é uma especificação técnica para a interação com repositórios de documentos em soluções de ECM através de serviços Web. As especificações do CMIS:

  • são desenhadas para que usuários possam construir aplicações sobre múltiplos repositórios desbloqueando as ilhas de informações hoje existentes;
  • desassocia serviços Web e conteúdo dos repositórios de conteúdo permitindo a gestão independente deste;
  • simplificam dramaticamente o desenvolvimento de aplicações;
  • não estão vinculadas a nenhuma plataforma de desenvolvimento e/ou linguagem.

Ou seja, existe uma luz no final do túnel para aquelas grandes organizações onde na idade das trevas cada área resolveu o seu problema montando o seu GED próprio. A definição de uma taxonomia corporativa adequada e o uso de padrões que permitam a interoperabilidade (quando as ferramentas utilizadas o permitirem) pode minimizar a dificuldade de se ter uma visão holística da informação na organização.
E, para aqueles que forem iniciar agora, procure desde o início ter algum padrão que lhe permita uma troca não traumática futura e/ou a integração de múltiplas soluções.

Fonte: docmanagement.com.br

Por Walter Koch